domingo, 28 de outubro de 2012


Meu quarto, 28 de outubro de 2012

              Querida Vida,
             Estive pensando em cartas, recentemente, e em como ninguém mais costuma escrevê-las. E é esse o motivo pelo qual me deito, nessa noite quente, e lhe escrevo meus pensamentos aleatórios. Se minhas palavras simplesmente parecerem uma montanha de letras sem conexão, ignore-as. São apenas reflexos de momentos antigos, amores passados, angústias presentes; imaginei que pudesse compreendê-las, mas se lhe superestimei, me desculpa e segue seu curso.
              Você acredita em minhas orações de agradecimento? Vê sinceridade nesse amor infinito que sinto por você? Muitas vezes te abandono, Vida, e deixo a Escuridão se aproximar. Não cogite, nem por um momento, sobre minha ingratidão. Amo todos os seus aspectos, suas linhas tortas, seus futuros incalculáveis, suas súbitas mudanças e, por mais árduo que seja, consigo lhe entender. Percebi, durante essas duas décadas em que estamos juntas, que o melhor presente se constrói quando somos amigas, quando nos conectamos tão harmoniosamente que suas mudanças de humor, seus dias chuvosos e suas lágrimas apenas me impulsionam, me empurram com leveza para o que chamo de destino.  
            E, falando em destino, você tem algo preparado para mim? Existe mesmo um local que, antes mesmo de eu nascer, já esperava ansiosamente pela minha chegada? Existe mesmo alguém que ficará completo quando me encontrar? Existe mesmo aquela felicidade eterna?  Existe, Vida? Não me chame de cética, impaciente ou qualquer outro adjetivo impróprio. Apenas alcancei o estágio máximo de impaciência e, como uma criança teimosa, quero as respostas agora.  Me responde, Vida, você guardou um pedacinho de mundo para eu me encaixar?

Afetuosamente,
Lau (:

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