Enquanto sua boca se enchia de belas palavras, últimas tentativas de me incluir nesse seu ciclo de mentiras, meus olhos fingiam te enxergar, entregues à inércia do momento. Hipocrisia, você dizia, era absolutamente o maior defeito dos homens. O movimento de seus lábios, após essas palavras, esvaziou-se de sentido e se tornou mudo, estático. Incrível a agilidade de uma mente. Totalmente entregue às suas ideias num momento e completamente enojada por você, em outro. Estava determinada a te abandonar, quando suas mãos laçaram as minhas e me puxaram para perto, me fazendo sentir seu cheiro, salgado e ardido ao mesmo tempo. Como pude me deixar levar por alguns instantes?
Absorta em meus anseios de ser feliz imediatamente, não percebi sua entrada ligeira e esguia, difundindo-se por todos os aspectos de minha vida. A verdade é que você atravessa florestas, cruza rios, passa por debaixo de portas, entra pelas orelhas, sai por lábios. Você é o mal do ser humano, a verdadeira estraga prazeres, o que reprimo, hostilizo, odeio.
Você tornou meus campos mais verdes para outros olhares e, com isso, mais amarelados para mim mesma. Reprimiu grandes satisfações ao compará-las com outras, me fez sentir medo de conquistar.
Sua presença parecia ser inevitável, até que, enfim, percebi a verdade. Sua existência depende de minha crença em você. Dessa maneira, me despeço. Adeus, inveja, dentro de mim você não possui mais raízes, logo, não poderá, nem ao menos, dirigir-se a mim. Não se dê o trabalho de tentar retornar, já atingi a felicidade plena. De limite, o céu passou a ser meu ponto de vista.
Um beijo,
Lau (:

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