Na porta do meu quarto, encostado à parede numa pose tranquila e despojada, estava um garoto. Todo vestido de bege, sua pele muito branca parecia translúcida e mágica. Seus olhos não me julgavam, indagavam ou qualquer outra coisa que olhos normais fazem. Eles apenas esperavam. Esperavam por uma palavra? Um sorriso? Não sei. Olhei-os de volta, assustada. O garoto deu então, um passo à frente. Instantaneamente, me afastei. Ele sorriu e, melodicamente, disse: "Você sabe quem eu sou e sabe minha função. Agora vamos, fale.".
Sim, eu sabia quem ele era. Ouvira mitos sobre aquele garoto protetor durante toda a minha infância e, honestamente, acreditara nele fielmente. Nos últimos anos, entretanto, deixei-o de lado e até cheguei a pensar que talvez nunca mais o visse. Estava enganada. Ele havia crescido. Seus cabelos eram, agora, longos e seu sorriso perdera a infantilidade brincalhona que eu tanto amava.
Sentei-me ao seu lado sem medo e comecei a contar. Disse-lhe tudo. Disse-lhe que estava cansada de tanta monotonia e queria ver a vida de um novo ângulo. Falei-lhe sobre minha vontade de mudar a vida de alguém, transformar o que precisasse ser transformado e consertar o que precisasse ser consertado. Contei-lhe sobre meus sonhos em que salvava vidas e recebia sorrisos em troca. Tagarelei por horas... Finalmente, quando minha garganta estava seca e minha alma aliviada, aguardei por sua resposta. Segundos intermináveis se passaram até que ele me olhou nos olhos e riu. Sim, riu. Gargalhou como se estivessse assistindo uma comédia. Dava tapas no joelho como quem não consegue expressar o riso somente pela boca. Fiquei perplexa. Após horas de confissões ele ria da minha cara? Algo estava errado.
Ele parou de rir, enxugou as lágrimas que rolaram de seus olhos e ficou em silêncio. Naquele momento, minha perplexidade havia se tornado ódio e eu chacoalhei seus ombros gritando: "Que espécie de protetor você é?". Mandei-o embora e ordenei-lhe que nunca mais aparecesse. Finalmente, ele falou: "Não estava rindo de seus sonhos. Acho-os maravilhosamente belos. Estava rindo, na verdade, devido à minha imensa sorte. Você, minha amiga, seguiu meus conselhos durante sua vida toda e, agora, não precisa mais de mim. Obrigado por essa alegria."
Quando abri os olhos, o mundo era outro. A paz inundou minha alma, meus pulmões encheram-se de um ar estranhamente puro e branco. Estava completa. Me tornara, finalmente, um anjo da guarda.
Um beijo!
Lau :)
Te Amo sabia s? ehhe ..
ResponderExcluirseus textos estão cada vez mais bonitos .. :)
Linda ;@