Durante toda história do planeta, o mundo foi o cenário de uma ação extremamente seletiva e excludente. Não é necessário cair no clichê de sociedades contemporâneas e seus desdobramentos frente às diferenças culturais ou socias. Regredindo à um dos teoremas mais básicos, Darwin por exemplo, a superioridade de uns e a inferioridade de infelizes outros já começa transparecer. "O meio seleciona os mais adaptados à vida". Parece uma citação livre de culpa, não é mesmo? O "meio" selecionador, um agente inquestionável e inalcançável pelas reivindicações humanas. Adoradores de "teorias da conspiração" apoiariam veementemente e até arriscariam-se a dizer que Darwin tentava implantar, desde muito cedo, a ideia de subordinação. Se tentava realmente nunca teremos certeza, mas que trouxemos sua teoria para os dias atuais e adoramos usá-la em certas situações é irrefutável.O vagabundo que não quer saber de trabalhar, os moradores da favela que não prestam, o traficante que não quer mudar de vida, o aluno que não quer estudar. Para simplificar todo o caos, agrupamos todos esses "tipos" num único conjunto: o maxi conjunto dos "sem solução", sem possibilidades de melhora e ascenção social. "Oras, você realmente acredita que ajudar financeiramente vai salvar alguém? Não dê o peixe, ensine pescar." Quem nunca ouviu um discurso desses? Exemplo típico de egoísmo e mesquinharia, se quer saber minha opinião. Reunir os "indesejáveis" e lançá-los à mercê de sua própria sorte é livrar-se da sujeira. Cobrir com um manto a parte escura da sociedade e seguir em frente. Alegar piedade e abanar os ombros numa atitude do tipo "não há nada que eu possa fazer".
Limpar, excluir, clarear. É isso que a sociedade mais deseja. Surpreendeu-se com a resposta? Pense bem. O reino português mandava para sua colônia os indesejáveis de sua sociedade numa tentativa de afastar os "problemas". As modernizações nas cidades brasileiras derrubavam cortiços e casinhas humildes para "renovar" a cidade. A Inquisição queimava livros e pessoas que ameaçavam a "ordem". O nazismo usava crueldade para "varrer o mundo e transformá-lo em puro". Em todos os lados, em todas as épocas. A busca pela "pureza" social é o guia de governantes do mundo todo.
Mas fico pensando... Por que desejar igualar a sociedade e excluir a "parte inferior" se a grande porção de "superiores" carrega em si uma maldade e egoísmo dignos de nojo?
Um beijo :)
Lau
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