Respirei fundo. Puxei para perto de mim todos aqueles Sentimentos e resolvi colocá-los em ordem de uma vez por todas. Tentei apanhá-los de uma só vez mas alguns deles caíram e acabaram ficando ali mesmo, esquecidos. Segurei firme minha mão fechada, numa tentantiva de não perder mais nenhum. Uma súbita tristeza me abalou e eu percebi que um Sentimentozinho cinza escapara da minha mão cerrada. Como é que ele havia se soltado? Os nós dos meus dedos estavam esbranquiçados de tão firme que eu os apertara. Será que não era capaz nem ao menos de manter presos alguns Sentimentos? Olhei ao redor. A Insegurança me observava. Seus olhos eram profundos e densos e ela simplesmente me fitava. Me prendi à ela de uma maneira inexplicável e, sem perceber o que estava prestes a fazer, abri as mãos. Os Sentimentos rolaram lentamente e caíram aos meus pés. Alguns deles nem sem levantaram, simplesmente entregaram-se à queda e deixaram de ser, desistiram. Outros, no entanto, puseram-se de pé instantaneamente e começaram a escalar. Agarram-se às minhas pernas e subiram, ergueram-se, puxaram-se até os meus ombros. Quando percebi que a Ira tentava subir-me à cabeça pelos meus fios de cabelo, sacudi com força e ela, numa resposta à minha ação, agarrou alguns fios e me encarou. Meu peito congelou. O Medo havia escalado todo o meu corpo e estava preso à um botão da minha blusa, bem do lado esquerdo. Pensei em encarar o Medo, afinal, diziam ser esse o método mais eficiente para livrar-se dele. Contudo, antes de poder decidir o que fazer, a Frustração, o Ódio, a Saudade, a Inveja e o Egoísmo puseram-se junto ao Medo e eu percebi que aquele grupo de Sentimentos escuros eu nunca conseguiria enfrentar sozinha.
Jogada num canto estava a Amizade. De tanto servir de apoio para os outros sentimentos escalarem minhas pernas, ela havia enfraquecido e não tinha forças nem ao menos para se levantar. Dobrei meus joelhos e estendi-lhe a mão. Ela colocou-se bem no centro da minha palma e trouxe consigo a Bondade e a Confiança. No exato momento em que elas tocaram minha pele, uma onda de Coragem veio ao meu encontro e eu fechei os olhos. Cerrei os punhos. Eu havia começado aquela desordem, eu era a única que poderia consertá-la.
A chuva caiu. Os primeiros pingos foram finos mas quanto mais eu matinha aqueles Sentimentos presos em minhas mãos, mais os pingos engrossavam. A água levou todos os Males. Vi-me livre de tudo aquilo. Meu coração estava leve, finalmente em paz. Era como se aquela chuva não apenas tivesse levado os Males de mim, mas também trouxera consigo algo bom, muito bom. Enxuguei meus olhos para enxergar melhor. A vista era linda. Além de todos os meus antigos Sentimentos, postado junto ao meu peito estava a razão de toda aquela borbulhante felicidade. A chuva me trouxera o Amor.
Beijo,
Lau :)

Amei, Laurete! É uma pena que você esteja ocupada demais pra postar frequentemente :(
ResponderExcluirOwwwn brigada Silver :D
ResponderExcluirvoce nao sabe como eu fico feliz de ler essas coisas!!! :)
=*
Nossa Lau, eu tinha me esquecido de quão bom eram seus textos! Eles sempre me deixam uma mensagem boa no final.
ResponderExcluirParabéns, de verdade!
Te amo :)