terça-feira, 20 de julho de 2010

Uma borboleta


Sentei pertinho da janela. Acho que já sabia o que estava prestes a acontecer. Às vezes sabemos de tudo antes mesmo de ser verdade, às vezes fazemos errado sabendo que não vai dar certo. Mas fazemos, acreditamos e choramos no final.
A borboleta mais colorida que eu já havia visto costumava me visitar toda manhã. Sem exceções, ela vinha voando lindamente com toda a sua graça e passava por perto de mim, despejando todo o seu charme e delicadeza. Todas as vezes que ela me visitava, meu sorriso se abria e eu não podia deixar de pensar nela durante os dias seguintes. Ela me cativava...
Mas ela mudou. Deixou de me visitar todas as manhãs e passou a apenas voar por ali de vez em quando. Eu imaginava o que havia feito de errado para afastá-la mas não pude entender. Eu a recebia com tanto carinho, até conversava com ela às vezes, elogiava suas cores e ela se despedia voando alto e sem destino. Isso me magoava. Não sei explicar mas a maneira com que ela voava me mostrava toda a sua liberdade, sua despreocupação, sua falta de atenção. É claro que eu podia sair e dar voltas no parque, tomar Sol e sonhar. Mas não era a mesma coisa! Algo no seu jeito de voar me deixava tão triste, tão chateada.
E quando ela deixou de me visitar por completo eu fiquei sem rumo. Ao mesmo tempo, eu sentia que devia deixá-la ir; sua vida era voar, era espalhar sua graça por outros jardins... Acho que percebi que ela era apenas uma criança. Então, a libertei.
Alguns dias depois ela voltou a me visitar. Ela não voava como antes, não parecia flutuar como antes, não parecia a mesma borboleta.
E pela primeira vez, ela falou. Me disse que eu a invejava por estar presa ao chão e não poder voar como ela. Como ela podia pensar isso de mim? As palavras fugiram da minha boca, minha mente era um completo vazio e minhas expressões eram de espanto. Meu olhar perplexo foi tão denso, tão denso que a borboleta caiu.
Suas asas fraquejaram e ela foi descendo, como uma folha de papel largada ao vento. Eu não conseguia esquecer, não podia! Sabendo que erraria outra vez, tirei as asas da borboleta e usei-as. Levantei vôo sem olhar para trás. Sem remorsos nem satisfações. Apenas fui, sem destino, mostrando o tamanho da MINHA liberdade.

Beijos,
Lau =)

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